Férias em Salvador: dez programas imperdíveis

Ela é a terceira cidade mais populosa do Brasil, com 2,9 milhões de habitantes. Destino de turistas praticamente o ano inteiro, Salvador torna-se ainda mais vibrante no verão – para esta temporada, calcula-se que o número de visitantes cresça aproximadamente 15% em relação ao ano passado, segundo a Secretaria de Turismo Municipal. Quem chega à capital baiana nessa época sente logo de cara um clima de festa, seja no Centro Histórico, repleto de igrejas, ateliês e museus, ou à beira-mar, nas areias fervilhantes de suas praias. Nesse eixo, há uma porção de programas clássicos a serem explorados e outros que fogem da mesmice. Equilibrando as duas coisas, selecionamos vinte endereços que, além de atraentes, também são baratos. A começar pela oferta gastronômica, que inclui comidas de rua, entre elas o tradicional Acarajé da Cira e o caprichado Beiju de Itapuã, até receitas mais substanciosas, como a moqueca do restaurante Donana e o banquete de inspiração africana do Ajeum da Diáspora.

Quer comprar suvenires, mas está sem pique para enfrentar a muvuca do Mercado Modelo, há duas lojas certeiras para encher a sacola com artesanato criativo: o Empório Mecenato, no Pelourinho, e a Dona Xica e Seu Liberatto, no Rio Vermelho. Nesse mesmo bairro fica a nova Casa do Rio Vermelho, a mais grata surpresa da cena cultural. Depois de permanecer fechada por onze anos, a residência onde moraram Jorge Amado e Zélia Gattai abriu ao público, em novembro, restaurada e transformada em museu. O passeio por seus quinze cômodos revela detalhes da vida pessoal do casal de escritores, além de uma preciosa coleção de obras de arte. O ingresso custa 20 reais.

Pelo mesmo preço, dá para se esbaldar no pré-Carnaval do Cortejo Afro, no Pelourinho. Essa e outras bandas e blocos costumam aquecer os tambores durante todo o mês de janeiro em ensaios concorridíssimos – e os ingressos saem bem mais em conta do que o abadá. Animou? Confira as dicas e axé!

1. Experimentar uma refeição de raiz africana: o restaurante Ajeum da Diásporarecebe, somente aos domingos (13h/17h), trinta comensais para uma refeição de inspiração africana. O serviço funciona na própria casa da cozinheira e anfitriã Angélica Moureira, nascida em Itaquara, interior da Bahia. Na etapa principal, a estrela é uma galinhada temperada de véspera, servida ao lado de quiabo sobre um pirão feito à base de caldo de mocotó. A batida de cachaça, tamarindo e cebolinha abre o apetite. O almoço custa R$ 30,00 por pessoa e é preciso fazer reserva com antecedência. Endereço: Rua Amparo do Tororó, 157, Tororó | Telefones: 71 9160-8933 e 71 8843 2230

2. Contemplar os orixás do Dique do Tororó: é de encher os olhos a vista dos doze orixás que emergem e refletem no espelho d’água de 110 000 metros quadrados do parque. Ali também dá para passear de pedalinho (R$ 5,00 a hora) e até pescar (R$ 2,00 o aluguel da vara por um período de trinta minutos). Na área verde, grupos de amigos e famílias encontram o espaço ideal para fazer piqueniques. Endereço:Avenida Presidente Costa e Silva, s/nº, Nazaré | Telefone: 71 3382-0847 | Grátis

3. Curtir uma sessão de massagem à beira-mar: no Jardim de Alah, a pista de caminhada está sempre movimentada, mesmo durante a semana. Depois do exercício, vale a pena relaxar nas pequenas piscinas naturais que se formam na maré baixa. Quem opta pelo gramado, sombreado por coqueiros, encontra várias barracas equipadas com camas para massagens – a sessão de trinta minutos custa, em média, R$ 30,00. No verão, o local é cenário de aulas grátis de aeróbica, ginástica e alongamento. Endereço: Avenida Octávio Mangabeira, s/nº, Costa Azul

4. Tirar o pé do chão em um ensaio de Carnaval: eles acontecem de dezembro até fevereiro e agitam as noites da capital. Às segundas (21h), as vielas do Pelourinho ecoam a música do Cortejo Afro (Endereço: Largo Pedro Archanjo, Pelourinho | Ingresso: R$ 20,00), banda criada em 1998 e que privilegia ritmos africanos mesclados ao pop e às batidas eletrônicas e latinas. Terça-feira é a vez do famoso Olodum, também no Pelourinho (Endereço: Praça Tereza Batista | Ingresso: R$ 50,00). Conhecidos como Terça da Bênção, os ensaios começam a partir de 23 de dezembro (20h) e o público dança ao som de novas composições, releituras de sucessos da música baiana e, claro, hits do grupo que completa 35 anos. Conhecido como “o mais belo dos belos”, o bloco Ilê Aiyê (Endereço: Rua Direita do Curuzu, 228, Curuzu | Telefone: 71 2103-3400 | Ingresso: R$ 30,00 e R$ 50,00) sobe ao palco todos os sábados (22h) para entoar as suas composições cheias de referências às matrizes africanas.

 

5. Saborear o acarajé mais famoso da cidade: o quitute aplaca a fome a qualquer hora do dia e a preço popular. Nas barracas de Jaciara de Jesus Santos, a Cira, os premiados bolinhos de feijão fradinho, fritos em azeite de dendê e recheados de vatapá, rendem filas e elogios, principalmente na versão completa, preenchida de camarão seco (R$ 7,00). Sem o crustáceo, a economia é de 1 real. Com uma pitada de molho de pimenta caseiro, o quitute faz jus ao nome, derivado de uma expressão da língua iorubá que significa “comer uma bola de fogo”. Endereço: Rua Aristides Milton, s/nº, Itapuã | Mais dois endereços

6. Conhecer a casa onde moraram Jorge Amado e Zélia Gattai: o imóvel de número 33 da Rua Alagoinhas, no Rio Vermelho, serviu de moradia para a dupla de escritores durante 37 anos. Berço de histórias preciosas, o lugar esteve guardado a sete chaves por mais de uma década, mas acaba de ser aberto ao público. Completamente restaurados, os cômodos da Casa do Rio Vermelho recobraram o vigor de outrora pelas mãos do arquiteto e cenógrafo Gringo Cardia, que assina a curadoria do projeto. O visitante percorre mais de 1 000 metros quadrados, divididos em quinze salas repletas de móveis, obras de arte, fotografias e outros objetos pessoais de Amado e Zélia, cujas cinzas estão enterradas no emblemático jardim do casarão. Endereço: Rua Alagoinhas, 33, Rio Vermelho | Ingresso: R$ 20,00. Leia mais em A casa agora é sua

7. Provar uma moqueca baiana de primeira: naturalmente feita em porções generosas, a moqueca é pedida certa para compartilhar. No restaurante Donana, fundado por Ana Raimunda Silva Santos há mais de duas décadas, a premiada receita satisfaz duas pessoas na versão de camarão, a mais pedida do cardápio. À base de tomate, cebola, pimentão, coentro, alho, limão, cominho, leite de coco e azeite de dendê, ela sai por R$ 68,90 e acompanha um combo de fartura: caruru, vatapá, pirão, feijão fradinho e farofa de dendê. Endereço: Rua Avenida Teixeira Barros, boxes 1 a 7, Brotas | Telefone: 71 3351-8216. | Mais um endereço

8. Assistir a uma apresentação de atabaques em uma igreja O estilo rococó na fachada associado aos altares neoclássicos e às torres com traços indianos compõem a beleza arquitetônica da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, um dos mais tradicionais cartões-postais do Pelourinho. O templo realiza a chamada “missa inculturada”, que mistura cânones católicos com percussão afro-baiana. As cerimônias acompanhadas por atabaques e tambores acontecem duas vezes na semana: às terças (18h) e aos domingos (10h). Endereço: Praça José de Alencar, s/nº, Largo do Pelourinho | Ingresso: R$ 3,00

9. Comer ao ar livre: principal evento de comida de rua da capital, A Feira da Cidade, idealizada pela jornalista Carla Maciel, ocorre sempre aos sábados (11h/17h) e domingos (8h/17h), sem local fixo – Farol da Barra, Parque da Cidade, Praça Ana Lúcia Magalhães e Rio Vermelho são pontos frequentes. Cerca de cinquenta cozinheiros preparam receitas que custam, em média, R$ 15,00. Ali, ao lado de outros chefs importantes da cena local, a famosa baiana Dadá costuma cozinhar moqueca mista de peixe e camarão. De barriga cheia, ainda dá para conferir os artesanatos e as peças de brechós e de novos estilistas que também ganham espaço.

10. Visitar o mais antigo museu da Bahia: o Museu de Arte da Bahia – MAB foi criado em 1918. O núcleo inicial do acervo do museu foi a coleção privada de pinturas de artistas europeus e baianos do médico inglês Jonathas Abbott, adquirida em 1871 pelo então vice-presidente da Província da Bahia. Suas salas reúnem ainda móveis do século XVIII, pratarias, porcelana da Companhia das Índias Ocidentais, joias, pinturas e esculturas sacras. Endereço: Avenida Sete de Setembro, 2340, Corredor da Vitória | Telefones: 71 3117-6902 e 3117-6908 | Grátis

Fonte: Redação Veja Cidades

 

 

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